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Política Eleições estaduais

Candidatura de Lula em 2022 não deve influenciar cenário em Goiás, dizem cientistas políticos

Pedro Mundim afirma que Lula, caso candidato, “será altamente competitivo”, mas que é difícil avaliar se candidatos da legenda em Goiás vão se tornar mais competitivos

17/04/2021 12h38
Por: Santa Helena Agora Fonte: O Popular
Alexandre Schneider/Getty Images
Alexandre Schneider/Getty Images

A possível candidatura de Lula à Presidência da República no ano que vem não deve influenciar muito o cenário eleitoral goiano, analisam cientistas políticos ouvido pelo POPULAR. O Supremo Tribunal Federal (STF) anulou, na quinta-feira (15), as condenações do ex-presidente, o que devolve a ele os direitos políticos e o colocado como virtual candidato ao Palácio do Planalto em 2022.

Francisco Tavares relata que o Centro-Oeste “não é um espaço privilegiado de votação para o PT”, mas que uma candidatura de Lula pode “trazer de volta a centro-esquerda para Goiás”. Desde 2016, ano do impeachment de Dilma Rousseff, os partidos desse espectro político perderam força no Estado.

Naquela eleição, o PT perdeu mais de 80% de seus prefeitos — elegeu 17 em 2012 e três no pleito seguinte, mantendo a quantidade em 2020. Tavares, contudo, diz que um retorno da centro-esquerda “não significa favoritismo” para seus candidatos. “Porque o próprio Lula pode ter dificuldade”, diz, referindo-se a um maior apoio goiano ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Sobre influência na eleição estadual, Tavares diz que, para o Executivo, não há repercussão. “Não é crível que o fato de Lula ser viável eleitoralmente significa que ele vai criar um nome que, no intervalo de um ano, consiga fazer frente a Caiado”, relata, em referência ao governador Ronaldo Caiado (DEM).

“Agora, uma candidatura competitiva de Lula pode impactar no aumento das bancadas que se identifiquem com ele no Legislativo.”

Ele aponta especialmente o Senado, cuja eleição é majoritária e que terá uma vaga em disputa no ano que vem, mas também para deputados federais e estaduais, cujo processo eleitoral é proporcional. “Mesmo que não aumente (a bancada da Assembleia Legislativa e da Câmara dos Deputados), pode ter condições de tornar a reeleição dos que já têm mandato mais tranquila.” O PT tem uma deputada estadual e um deputado federal.

Antipetista

Pedro Mundim também afirma que Lula, caso candidato, “será altamente competitivo”, mas que é difícil avaliar se candidatos da legenda em Goiás vão se tornar mais competitivos. “A maior parte da influência de eleição casada poderia ocorrer caso o PT estivesse no poder e com uma boa avaliação, porque, estrategicamente, as pessoas tendem a ir para uma legenda nessas condições a fim de capitanear o sucesso. Mas o Estado ainda é muito antipetista.”

Para ele, nacionalmente, uma estratégia que poderia ser adotada pelo partido seria a de colocar seus principais nomes nos Estados para disputar o governo com o objetivo de puxar votos para Lula. Isto é, ao invés de o ex-presidente atuar na transferência de votos para os candidatos, se faria o contrário usando os candidatos para atrair votos par ao ex-presidente.

De acordo com Denise Paiva, “a provável candidatura de Lula vai provocar uma reorganização de todas as forças políticas”, seja a favor ou contra ele, e isso “tem repercussão nos Estados”, na medida em que esses grupos políticos vão procurar somar forças locais em busca de palanque para seus candidatos a presidente.

“É improvável que Caiado não seja apoiador de Bolsonaro”, analisa — o governador pode disputar a reeleição. “Nesse embate, é provável que haja um alinhamento das oposições. Agora, como as forças políticas vão se articular em Goiás, se o PT vai ter candidato próprio ou vai se alinhar com outras forças, como o MDB, como já fez na capital, por exemplo, é cedo para dizer.”

Já Itami Campos aponta para uma possível radicalização do processo eleitoral, devido à polarização entre lulistas e bolsonaristas. “Diante do nível de agressividade que existe atualmente, talvez haja uma radicalização. Mas mesmo isso é difícil dizer se terá repercussão em Goiás.”

Nesse sentido, ele também diz ser cedo para refletir sobre como as forças políticas do Estado devem se mover. “Até o próprio PT está um pouco dividido no Estado”, argumenta.

Para Kátia Maria, candidato ou não, elegibilidade de ex-presidente fortalece o PT

‘Presidente estadual do PT, Kátia Maria diz que a elegibilidade de Lula dá força ao partido, seja ele candidato ou não. Desde 2002, Lula foi o único candidato a presidente petista que conseguiu ter frente de votos em Goiás: venceu no 1º e 2º turnos, em 2002, e no 2º turno em 2006, apesar de ter terminado o 1º atrás de Geraldo Alckmin (PSDB). Dilma Rousseff teve mais votos em 2010, mas perdeu no Estado nas duas etapas da eleição de 2014, mesmo caso de Fernando Haddad em 2018. Questionada se o partido terá candidato ao governo em 2022, Kátia afirma que a discussão sobre isso ainda não foi feita — em 2014, o partido teve Antônio Gomide como candidato, e, em 2018, a própria Kátia. “O PT nunca teve problemas em ter candidaturas, mas vamos analisar. Primeiro, precisamos ajudar as pessoas a sair da crise. Depois, buscamos diálogo com todos os partidos.” A respeito de uma possível união entre partidos de centro-esquerda, ela conta que já foi aberto diálogo prévio sobre o assunto e que “há uma sintonia boa”. “Obviamente, no Estado tem as suas particularidades. Então, PSB, PDT, PCdoB e PSOL conversam conosco, mas todos enxergam que, se não mudar no cenário nacional, fica difícil (uma aliança em Goiás).”

O POPULAR já mostrou que lideranças desses partidos, assim como também da UP, PV, PCB e Rede, avaliam que um diálogo mais aprofundado esbarra nas posições das legendas em nível nacional. “Mas ainda não estamos fazendo o debate de 2022”, diz Kátia. “A crise econômica está muito grave e estamos concentrando energias em ajudar as pessoas, até porque nossa militância é de classe baixa e estamos nos esforçando a ajudá-la.”

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