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Polícia Investigação

Pelo menos cinco pessoas investigadas pelas execuções de Marielle e Anderson foram mortas desde 2018

Relatório da Polícia Federal chegou a apontar como um 'golpe' para as investigações

28/07/2023 13h48
Por: Cristiano Souza
Pelo menos cinco pessoas investigadas pelas execuções de Marielle e Anderson foram mortas desde 2018

Nos cinco anos e quatro meses que se passaram desde o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, um rastro de mortes tirou de cena personagens importantes citados nos inquéritos. Apontado na delação do ex-PM Élcio de Queiroz como intermediário da contratação de Ronie Lessa para a execução do crime, o sargento reformado da PM Edimilson da Silva de Oliveira, o Macalé, foi morto a tiros em 6 de novembro de 2021, o que um relatório sigiloso da Polícia Federal chegou a apontar como um “golpe” para as investigações. Mas ele não foi o único. Ao menos outras quatro peças-chaves morreram desde aquele 14 de março de 2018, entre elas o ex-policial Adriano da Nóbrega, acusado de chefiar o Escritório do Crime, que teria sido o primeiro a ser procurado para matar Marielle — e recusado o serviço.

Provas perdidas

No documento da PF em que se ressaltam as repercussões da morte de Macalé, por exemplo, é apontada uma “notória dificuldade” imposta pelo lapso temporal entre o crime e a fase atual das investigações. “Parte significativa das provas e evidências deixadas por seus autores, seja mandante, seja executor, pereceu com o tempo”, afirma o texto. “Outro golpe que a intempestividade impôs à persecussão (sic) penal”, continua o relatório, foi a morte de Macalé. Os prejuízos seriam tanto no que se refere “à garantia da execução da lei quanto à colheita de novas evidências”.

Testemunhas contaram que o sargento reformado, suspeito também de ligações com a contravenção e de ser braço armado do bicheiro Bernardo Bello, caminhava em direção a sua BMW pela Avenida Santa Cruz, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, quando foi abordado por homens armados em um veículo. A cena também foi registrada por câmera de segurança. Nem seus documentos, nem a pistola calibre 45 que portava foram roubados. Ele foi atingido por vários disparos e morreu no local, cerca de dois anos e meio após o assassinato da vereadora e de seu motorista. Segundo a delação de Queiroz, Macalé, Lessa e o ex-sargento do Corpo de Bombeiros Maxwell Simões Correa, o Suel, vigiavam os passos de Marielle desde os últimos meses de 2017.

A Polícia Civil informa que um inquérito sobre a execução de Macalé — que em parte dos documentos é identificado como Edmilson Oliveira da Silva — foi aberto e ficou 14 meses com o Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público, quando seu nome ainda não aparecia relacionado à morte de Marielle. Em nota, a corporação afirma ter enviado ao MP um pedido de quebra de sigilos um mês após o assassinato. Mas o inquérito só foi devolvido em fevereiro de 2023. Uma nova representação com o pedido foi feita à Justiça e está em fase de análise.

Milícia no alvo

Se o nome de Macalé só apareceu agora, o de Adriano da Nóbrega — morto em 9 de fevereiro de 2020 — surgiu logo que as execuções começaram a ser apuradas. Em 2018, o ex-capitão do Bope foi chamado pela Delegacia de Homicídios (DH) da Capital a prestar depoimento, no qual negou participação no crime. Na ocasião, disse não conhecer pessoalmente as vítimas e que tomou conhecimento dos fatos pela imprensa. A linha de investigação que o indicava como suspeito não evoluiu.

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