O ministro da Economia, Paulo Guedes, admitiu que a pobreza aumentou no Brasil ao longo de 2021, mas disse que o governo federal não foi o responsável por isso. De acordo com ele, a Covid-19 é a principal causa do problema. Ele ainda criticou a "desonestidade intelectual" de quem atribui a situação financeira do país ao Executivo federal e lembrou que outras nações também passam por dificuldades.
"Alguns vão dizer que o Brasil está mais pobre porque teve inflação. Sim, guerras empobrecem. A população mundial, não é [apenas] a população brasileira. Maior nível de inflação em 40 anos nos Estados Unidos, maior nível de inflação em 35 anos na Alemanha, maior nível de inflação em 40 anos na China. O governo [do presidente Jair] Bolsonaro causou o maior nível de inflação na China, nos Estados Unidos e na Alemanha? Somos nós que estamos causando isso, ou é a desonestidade intelectual de quem faz comparações que não cabem?", ponderou Guedes, durante entrevista coletiva na noite de sexta-feira (17).
Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a inflação oficial do país, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), está no maior patamar desde 2003. Em novembro, a alta acumulada no período de 12 meses chegou à marca de 10,74%.
O resultado para o intervalo compreendido entre dezembro de 2020 e novembro de 2021 é quase três vezes maior do que a meta de inflação estabelecida pelo governo para este ano, de 3,75%. Já nos 11 primeiros meses de 2021, o IPCA acumulou alta de 9,26%.
Guedes culpou a desarticulação das cadeias produtivas pelo nível da inflação e disse que isso "é um choque de oferta adverso que tirou renda, emprego e trouxe inflação para o mundo inteiro". Apesar disso, ele comentou que a alta da inflação "é um fenômeno temporário".
"Logo no início do ano, quando os preços de alimentos e preços de material de construção começaram a subir, nós transformamos essa crise numa oportunidade de aperfeiçoamento institucional. Falam que governo A ou B perderam menos empregos. Mas algum outro governo enfrentou a Covid? Então, não podemos comparar", observou.
De todo modo, o ministro frisou que o Brasil está se recuperando e "está na forma que estava quando foi atingido pela recessão". Segundo ele, "nós colocamos o país de pé".
"O Brasil se reergueu em 2021. Nossas políticas econômicas, em todas as dimensões, estão dando resultado. Em 2020 essa sombra [da Covid-19] nos lançou na escuridão. A doença estava em pé, ameaçadora, forte e o Brasil no chão, o Brasil tombou. Se tivesse que fazer uma síntese de 2021, eu diria que o Brasil se reergueu e a doença tombou. Fizemos vacinação em massa da população brasileira, de novo surpreendemos o mundo com funcionamento da nossa democracia."
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